abacaxi

Publicado por Kátia Jórgensen

quando me perco , me perco.
que bom.

não quero me encontrar.

quero te achar.

em qualquer lugar.

em cena.

churrasco-001.jpg

em cena , sou ela.

quem eu mais queria ser.

em cena, sou dela.

quem eu mais queria ter.

será que vou conseguir?

que bom.

como é bom ter medo…

é bom ser.

o corpo já não responde mais.

a cabeça não me obedece.

os sentidos se perderam de mim.

tudo está tão claro que não posso enxergar.

é tão difícil ser.

que bom.

sempre pensei que fosse fácil.

como fui tola!

agora não posso me esconder.

estou entre dois mundos.

quero viver nos dois.

que bom.

você já teve duas cabeças?

como saio de mim sem te perder?

você já teve asas?

sinto cheiro de abacaxi.

que bom ser…

atriz.

imagem-002.jpg

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (11 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


O ator Invisível e a concentração fluida:

Publicado por Márcio Moreira

cimg3956.JPGUm dos pilares mais importantes dentro do trabalho dos Invisíveis é o aprimoramento da concentração. Ela nos serve de base fundamental tanto para o momento de criação artística (processo) quanto nos espetáculos, em que tentamos ao máximo permanecer no estado de jogo. Desde o início de nossos trabalhos (lá na fundação da companhia) queríamos aprofundar ao máximo nossas questões, queríamos sempre ir no limite das nossas possibilidades, chegar às impossibilidades. Não é possível ir tão fundo de forma displicente e desconcentrada. Era necessário desenvolver uma técnica de concentração que desse conta disso. No entanto a prática da busca por uma concentração ideal nos revelou a diferença entre uma concentração rígida na qual inicialmente fomos em direção e uma outra fluída.

Na primeira, (rígida) invariavelmente, os resultados acabam sendo prejudiciais para o trabalho a que nos propomos a realizar, pois nos leva ao um estado de antijogo. O ator fica voltado somente para ele mesmo e se torna incapaz de perceber detalhes importantíssimos a sua volta. Além do mais, como o próprio nome (dado por nós) diz, essa “rigidez” para o trabalho artístico é quase paralisante. A mente e o corpo rígidos não podem, definitivamente, produzir arte. A mente acaba escravizando o ator que fica refém das suas próprias limitações. Ele está tão “concentrado” que tenta jogar sozinho. E sozinho definitivamente não há jogo.

Chegamos então na descoberta de uma possibilidade de concentração que se tornou nosso foco: busca incansável para nós. Essa tal, classificada por nós de fluída, permite um estado de prontidão necessário para o desenvolvimento de nossas atividades. Esse estado de prontidão é o mesmo encontrado em um gato, por exemplo. Deitado preguiçosamente ele se mantém em pleno estado de alerta. Qualquer ruído ou movimentação ameaçadores e o animal está com o corpo totalmente pronto para fugir ou, se precisar, se defende Enfim, reagir. Nosso ritual para inicialização de qualquer atividade (treinamento, ensaio ou espetáculo) consiste em um primeiro momento na recitação, em grupo, de um mantra budista (sem nenhum caráter religioso) visando uma conexão dos componentes. Em seguida vem a preparação do espaço que vamos utilizar através de um balde de água limpa e panos que passamos minuciosamente no chão - tal qual a prática oriental aprendida pelos ensinamentos de Yoshi Oida. Esse início nos proporciona um estado de concentração muito importante.

Diante dessa concentração constatamos que o silêncio é muito importante. O velho ditado: ”Temos dois ouvidos e uma boca justamente para ouvir mais do que falamos” começou a ser aplicado. A falação excessiva se torna inimiga dos treinamentos e conseqüentemente do nosso processo de criação artística que se baseia na construção de uma dramartugia através de improvisações*. Quando procuramos ativar todos os nossos sentidos, criamos uma conexão com os outros e com o meio. Quando falamos o necessário ampliamos nossa capacidade de percepção. Essa observância se tornou mais um item bastante relevante para o desenvolvimento de nossa técnica.

Perante todas as nossas observações, com o passar do tempo, fomos percebendo que em virtude da pesquisa de concentração fluida, o nosso foco durante as atividades, passou a ser cada vez maior nos levando a um estado de prontidão tão indispensável para esse teatro que queremos fazer.

*Em breve texto sobre a criação de nossa dramaturgia.

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (16 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


O ator presente: viver x vivenciar

Publicado por Márcio Moreira

cimg3932.JPG

Muitos atores alimentam, por algum motivo, a idéia de que quando estão em cena o mundo pára. Tudo pode acontecer à sua volta e nada é visto nem ouvido. O ator entra num estado catártico no qual só as ações pré-estabelecidas no ensaio são executadas; não estou com isso defendendo uma prática de improvisações que subvertam o trabalho construído no processo criativo pelo ator e o diretor. É mais simples: o ator deve estar, de fato, presente em cena.

Não observar que um objeto caiu, ou ignorar um estrondo durante um espetáculo faz com que a cena se torne inverossímil.

O que propomos na Cia de Atores Invisíveis durante nossos treinamentos improvisacionais, é que estejamos presentes, de fato. O ator vivo em cena é o personagem vivo em cena. Precisamos ver e ouvir de verdade e não fingir que vemos e ouvimos. Estar presente significa executar a ação de modo completo e verdadeiro. Se o personagem escuta o desabafo de outro, o ator deve escutar de verdade.

Tentar representar o “ouvir”, por exemplo, cria um teatro de inverossimilhanças. O trabalho deve ser construído a partir de nossos sentidos verdadeiros. O estado presente auxilia toda a técnica e todo o ensaio feito anteriormente. Obviamente tudo isso tem um limite. No caso de um personagem que se suicida, é claro que não faremos a ação propriamente dita de maneira verdadeira (se não, só a faríamos um vez). Algumas vezes o ator gasta muito tempo tentando representar e se detém muito pouco ao que está acontecendo de verdade. No caso da cena de suicídio, tudo que a envolve, até o ato ápice, pode ser feito de maneira presente. O que propomos em nosso treinamento é o pleno jogo com o outro e com o meio.

Viver um personagem não é o mesmo que vivenciá-lo. Viver pressupõe uma realidade que não existe no teatro. Viver, nós só podemos viver as nossas vidas, mas as vidas das personagens, nós temos que vivenciar. Ou seja, agir como se estivéssemos naquela situação, e contra agir como se vivêssemos aquele momento. A contra-ação é aquilo que a personagem faria e conseqüentemente você, como ator, (depois de muitos ensaios e de testar muitas ações físicas), vai fazer. Reação é aquilo que você faria se estivesse na situação da personagem, portanto nem sempre as nossas reações servem como contra-ações das personagens que estamos trabalhando. A vivencia se baseia nisso: agirmos de tal forma natural que pareça sermos nós mesmos naquela situação. E isso inclui não só as ações como a forma de falar, andar e gesticular. Precisamos que essa personalidade reverbere em nosso corpo de forma verdadeira e de tal modo que o público acredite que existe alguém ali e que, esse alguém não é o ator que o está interpretando.

Acreditamos num teatro de vivencia. Queremos interpretar e não representar.

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (15 votos, média: 4.73 de 5)
Loading ... Loading ...


ep.5 A Trajetória de dois Atores

Publicado por Bruno Accioly

jorge_leite_tiago_quites.jpgHá tantos por aí e sua história, se contada nos palcos, daria um sem número de peças de teatro…

Jorge Leite e Tiago Quites são entrevistados por Márcio Moreira e Kátia Jórgensen, com a presença de Bruno Accioly e contam um pouco de sua trajetória além de falar sobre talento vs. formação acadêmica, patrocínio e apoio, utilitarismo, Yoshi Oida e teatro como elemento modificador do ser.

Episódio 5


(58min)

Se você deseja baixar os segmentos para o seu MP3Player, fique à vontade para usar o botão direito de seu mouse sobre os links a seguir e selecionar a opção “Salvar Destino Como…”:

Episódio 5

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (13 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


Para me tornar atriz tenho que me tornar um ser humano.

Publicado por Kátia Jórgensen

cimg2052.JPG

 

Esta é a frase que não me sai da cabeça desde que decidi tentar ser uma atriz invisível. Preciso de um espelho para me olhar por dentro, e saber quem eu sou. É difícil encontrar as verdades em mim, as mentiras. Não sei quem sou o tempo todo. Mas sei que sou alguém que erra, acerta, inveja, admira, ama, odeia, deseja,despreza … Estou começando a gostar de me enxergar!Não quero mais ser perfeita! Quero ser eu. Pois só assim, posso almejar ser atriz , na essência da profissão.

Quero ser Iago! Então preciso lembrar de todas as vezes que desejei mal a alguém e quis derrubar o outro. Quero ser Lady Macbeth! Então preciso recordar de todos os momentos em que usei o sexo para manipular e conseguir o que eu queria. Quero ser Hamlet! Então penso em quando tive que fazer escolhas para ganhar alguma coisa, mesmo que fosse uma medíocre vingança que não me levaria a nada. Quero se Julieta! Então devo voltar no tempo e agir como quando era uma garotinha inconseqüente que achava que o mundo ia acabar amanhã. Quero ser Sra Fierling! Mas só posso ser se me recordar de todas as vezes que minha mãe foi egoísta e só pensou nela e como eu também serei quando for mãe.

Mas para ser Lady, também tenho que saber o que é amar alguém e o que é dar a vida a uma pessoa. Para ser Iago tenho que saber o que é se sentir injustiçado na vida e sofrer por não ter o que queria. Para viver Julieta tenho que reviver a pureza e a bondade de quem é ingênuo. Para ser a “mãe coragem” tenho que reconhecer todos os sacrifícios que minha mãe fez por mim e tudo o que passou para me criar, assim como eu também vou passar para criar meus filhos. Para se Hamlet tenho que ser e não ser…Tenho tudo dentro de mim. Posso ser o que eu quiser, e por isso quero atuar. Poder falar dos sentimentos que ocultamos, ficar escondidinha atrás da personagem e mandar ver!

Essa vaidade é a mais difícil de se desvencilhar : a projeção de deuses que fazemos de nós mesmos…

Acho que hoje penso assim: se não estiver não palco, jamais poderei acreditar novamente em mim…aprendi com Edith Piaf!

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (15 votos, média: 4.87 de 5)
Loading ... Loading ...


Teatro de Arma Zen

Publicado por Márcio Moreira

mae.jpgmae2.jpg

mae3.jpg

 

Fomos assistir (duas vezes! Por enquanto…) ao espetáculo “Mãe coragem e seus filhos” de Bertold Brecht com a Armazém Cia de Teatro, em cartaz no CCBB , no Rio. E diante do que vimos, resolvemos publicar aqui no Luz & Sombra , uma resenha sobre o novo espetáculo de Paulo de Moraes.

Já de primeira, nos deparamos com uma detalhada pesquisa sobre a linguagem brechtiana. Desde a música de espera que quase soa como “música de consultório”, (imediatamente nos remetendo á idéia de que vamos assistir a uma peça de teatro que ainda não começou) até a interpretação dos atores.

A maquinaria á vista, a atriz, em cena, operando o refletor, os atores atrás da carroça se preparando para a próxima cena refletidos por um gigantesco espelho, nos revela uma crua realidade através da posição de espectadores e são também frutos do cuidado com a pesquisa sobre Brecht.

A luz de Maneco está, como deve ser, totalmente a serviço da concepção crua que desmistifica, que rompe com a catarse, enfim, desvenda poeticamente a arte do iluminador. O cenário de Paulo de Moraes e de Carla Berri além do fantástico espelho, também traz uma leitura genuína da carroça na qual Sra Fierling carrega seu filhos: uma enorme carcaça estilizada (mais um elemento do distanciamento) de um avião de guerra. O avião é o tempo todo deslocado pelo espaço cênico aos olhos do público, assim como todas as mudanças de cena sem o recurso do black-out - uma mostra clara do entrosamento luz-cenário-direção.

Todos os atores, como sempre, estão totalmente imbuídos do sentimento brechtiniano e “armazeniano”. Sempre com a mesma visceralidade e sensibilidade para nos emocionar com pequenos detalhes. Simone Mazzer está fantástica. Ela consegue em seu solo musical exprimir tudo o que deveria ser feito quando um ator canta em cena. A atriz apenas empresta a voz e deixa o resto por conta da personagem. Sérgio Medeiros consegue nos mostrar além de um personagem cômico, um cidadão da guerra. Com passagens excelentes, ele rouba a cena em vários momentos numa dobradinha maravilhosa com Louise Cardoso. Thales como o açougueiro, consegue evoluir de maneira sensível e mostrar as modificações que seu personagem sofre no decorrer da história. Com destaque para a brilhante atuação na canção emocionada que executa. Patrícia Selonk é mais uma vez um plus do espetáculo…Aos poucos ela vai cativando o espectador que, começa a se perceber refém de sua interpretação ímpar - sempre com ações físicas inesperadas e originais. A construção da personagem Katrin é impressionante. Louise Cardoso, como Sra Fierling, emociona em vários momentos e nos mostra uma generosidade tamanha na tentativa, bem sucedida, de acompanhar o ritmo tão peculiar da Armazém Cia de Teatro.

A direção magistral de Paulo de Moraes é a prova de que não existem limites para o seu trabalho de criação. Cuidadoso e inteligente, como sempre, Paulo confirma sinais visíveis de maturidade artística. Temos a oportunidade de assistir a uma direção que consegue dar a devida relevância a cada elemento cênico de maneira proporcional, nos dando a chance de apreciar um espetáculo, em sua totalidade.

Mãe Coragem e seus filhos” é um espetáculo no qual vamos pra casa com um nó na garganta impedindo-nos de expressar o que sentimos pela gigantesca torrente de sentimentos em que nos sentimos mergulhados. É para ficar para sempre na memória…

(por Márcio Moreira e Kátia Jórgensen)

e para quem quiser … o site da Armazém Cia de Teatro é:

www.armazemciadeteatro.com.br

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (19 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


Resenha sobre “Expectantes”

Publicado por Márcio Moreira

Bom, com a finalização deste trabalho tão querido e especial , para nós , Invisíveis, decidimos publicar aqui esta interessante crítica feita por Ana Cecília do site Revista Virtual Partes.

Obrigada a todos os que nos ajudaram de alguma forma e que torceram por nós…

a expectativa continua …

CULTURA - TEATRO

A vertigem das expectativas em competente peça de grupo carioca

   

Por Ana Cecilia

publicado em 25/10/2007

Não é novidade que o teatro perdeu espaço e público após o surgimento da televisão e do cinema. Para competir com a comodidade dos novos meios de entretenimento e arte, é necessário que o teatro possa oferecer algo de que só ele disponha.

E é em busca dessa constante reafirmação da linguagem teatral que alguns grupos pesquisam e se superam a cada trabalho. Em Expectantes, a Cia. de Atores Invisíveis apresenta um espetáculo sobre as expectativas humanas. O tratamento do tema, no entanto, foge do óbvio; o plano existencial não se encontra explícito – as ações se efetuam em um plano concreto. O que um palhaço, uma cigana, uma noiva, um evangélico, um travesti esperam? Para que esperam? Até quando esperam? De que maneira encaram essa espera?

Depois, cabe a nós transformarmos esses símbolos e adentrarmos na atmosfera misteriosa que a proposta cênica abrange, como se nos perguntasse, também, o que nós esperamos. Com um cenário intimista e um humor tragicômico, inicia-se o jogo de sentimentos com a platéia. Um jogo tenso, que ao mesmo tempo estimula e inibe o espectador. Gargalhadas se confundem com momentos de profunda melancolia, irreverência e culpa. Somos transformados em cúmplices de personagens patéticos e perdidos e, num determinado momento, nos sentimos os próprios, sempre à espera da próxima cena, da próxima piada, do próximo conflito, a mercê de choques cômicos e dramáticos.

Os personagens dividem o mesmo ambiente – um circo. A dinâmica da atuação provém dos ensinamentos de Yoshi Oida – um dos principais atores do diretor britânico Peter Brook. Baseia-se todo o processo de trabalho no livro O Ator Invisível. Para Oida, o público não deve jamais ver o ator e sim sua interpretação, e esta requer supremo e estudado controle, para que defina e exponha emoções em toda a sua profundidade.

E, realmente, a integração do elenco, e a disciplina com que os atores trabalham suas sombras, sons, vozes, silêncios, ruídos e sentimentos os torna invisíveis. Invisíveis no sentido de que não vemos o ator ali. Vemos os personagens, nos envolvendo com sua presença.

A discrição em cada mudança de cena, o cenário dinâmico e restrito ao necessário transformam tudo em essência. Tudo nos leva a uma reflexão, não apenas sobre o que esperamos, mas sobre o que escondemos sob nossas aparências, o que almejamos, nossas carências, o que cada ato revela, o que cada escuro condena, o que cada olhar vê, aprova, reprova. O que cada solidão, enfim, procura.

O espetáculo não termina; cabe a nós a decisão de ir ou ficar aguardando, na expectativa de algo a mais, de um aplauso, de um aceno. Com um certo incômodo, nos percebemos em cena, mais expostos que os próprios personagens, e decidimos sair.

Serviço: O espetáculo “Expectantes” está em cartaz até dia 07 de novembro, na Fundição Progresso. Sempre às quartas-feiras, às 20h30min. Contato do grupo: www.invisiveis.subtom.com.br.

(Colaborou: Gustavo Dumas)

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (21 votos, média: 4.76 de 5)
Loading ... Loading ...


ep.4 Sérgio e o Mundo Rápido

Publicado por Bruno Accioly

sergio_medeiros_armazem_cia_de_teatro.jpgMárcio Moreira e Kátia Jórgensen entrevistam Sérgio Medeiros - do grande Armazém Companhia de Teatro - em um programa a respeito de sua trajetória, o papel do teatro e sobre como é fazer teatro para um público mais acostumado com a rapidez da TV, do Cinema, da Internet e do Mundo.

Episódio 4


(53min)

Se você deseja baixar os segmentos para o seu MP3Player, fique à vontade para usar o botão direito de seu mouse sobre os links a seguir e selecionar a opção “Salvar Destino Como…”:

Episódio 4

Espetáculo “Alice através do Espelho”

Espetáculo “Pessoas Invisíveis”

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (15 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


Novas Fotos Invisíveis

Publicado por Bruno Accioly

Estão disponíveis novas fotos dos Invisíveis em:

http://invisiveis.subtom.com.br/fotos.htm

Não deixem de ver!

novasfotos00.jpg

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (34 votos, média: 3.79 de 5)
Loading ... Loading ...


O Invisível OIDA

Publicado por Kátia Jórgensen

oidah.jpg

A partir dos ensinamentos de Oida do livro”O ator invisível” , de Yoshi Oida , nasceu a Cia de Atores Invisíveis. Fundada pelo ator e diretor Márcio Moreira e pela atriz e diretora musical Kátia Jórgensen, a Cia, tem o objetivo de pesquisar e descobrir uma linguagem própria que defina o que é ser um ator “Neutro”.

Para Yoshi Oida o ator deve dar lugar a personagem de modo que o ator de torne “invisível”. Segundo ele , o importante não é notarmos a virtuose do ator em cena . O ideal seria simplesmente embarcarmos na história que é contada em um espetáculo , sem pararmos para analisar: “Puxa como esse ator é bom”!Deveríamos esquecer que diante de nós existe um ator.

Oida tem uma frase de um mestre Japonês que descreve bem esse sentimento:

“Posso ensinar a um jovem ator o movimento de apontar a lua, porém entre a ponta de seu dedo e a lua , a responsabilidade é dele”. E ele mesmo completa: - “O mais importante para mim é : será que o público viu a lua?”

Quando nós , os fundadores da Cia de Atores Invisíveis lemos o ator Invisível , sabíamos que jamais voltaríamos a sermos os mesmos. Diante de todos os conselhos e definições sobre ética , honra ( elementos tão esquecidos hoje em dia) e também técnicas teatrais , encontramos nosso lar e nossa história.

A primeira história contada no livro “O ator Invisível” por Oida diz o seguinte:

“No Japão , quando eu era criança, os filmes de ninja eram extremamente populares, sobretudo entre as crianças. Como muitos dos meus colegas, eu adorava aqueles filmes…guerreiros Ninja podiam escalar uma pedra escarpada ou engatinha, no teto, de cabeça para baixo. Eles andavam sobre as águas e , sempre que quisessem, ficavam invisíveis…Evidentemente nenhuma das explicações lógicas para essas proezas apareciam nos filmes…Mesmo quando eu já tinha idade suficiente para a escola, continuava enfeitiçado por aqueles filmes, de maneira que chegava a dizer para a minha mãe que eu queria ser um ninja. Na realidade eu queria era desaparecer de maneira mágica!Insisti tanto naquilo que , finalmente minha mãe saiu com um solução. Ela fez um saco de tecido preto, que me deu dizendo:”este é um segredo mágico dos ninjas” Imeditamente me cobri com o saco e agachei no chão. Minha mãe exclamou:”Cadê o Yoshi? Para que lado ele foi?”

Eu estava absolutamente extasiado com a minha habilidade em tornar-me invisível e pensei: “Agora sou um ninja de verdade” Então livrei-me daquele engenho preto e de repente “reapareci”. Minha mãe boquiaberta disse:”Oh Yoshi! Você está aqui! Como é que não te vi?” Alguma semanas depois, uma das amigas de minha mãe deu um pulinho em casa para fazer uma visita. Imediatamente me escondi no saco mágico de ninja, de modo que minha mãe bradou , como fazia. “Yoshi sumiu! Cadê ele?” Sua amiga apontou para o saco. “Ele está ali dentro!”. Naquele instante entendi o que vinha acontecendo e explodi em lágrimas , berrando:”Esse saco mágico é uma porcaria!”depois disso desisiti de ser Ninja..”

Yoshi passou depois pela fase das perucas e maquiagens para se tornar irreconhecível.
Brincava de ser outras pessoas e se deu conta de que todos aqueles artifícios eram somente uma nova versão do “saco mágico” que sua mãe fizera. Eram um modo de ele sumir diante das pessoas em vez de representar para elas . Através das máscaras, Yoshi se tornava “invisível”

Quis escrever essa história pois a considero a declaração de amor mais linda ao teatro que já ouvi falar.

Enquanto como atores, aprendemos que devemos “aparecer” em cena, Yoshi vem e nos mostra sabiamente, que o mais bonito é a generosidade de “desaparecer” !!!

“Ame a arte em você mesmo e não você mesmo na arte”
Constantin Stanislavski

SOBRE YOSHI OIDA

Oida é ator da Cia de Peter Brook, considerado atualmente um dos grandes diretores de teatro no mundo.

Oida começou a fazer teatro no Japão e chegou a ser incentivado a desistir pelos mestres do Kabuki e do Nô , mas sua persistência fez com que ele continuasse tentando . Participou de espetáculos e seriados no Japão e foi então em Abril de 68 que ele decidiu ir para Paris suprir as necessidades do Diretor do teatro de Odeon Jean-Luis Barrault. Foi neste Festival organizado por Barrault que Peter Brook Diretor da Royal Shakespeare Company convidou Yoshi para fazer parte de seu grupo e experimentos com atores vindos de várias partes do mundo.

Yoshi começou a fazer parte de um novo tipo de teatro , até então para ele desconhecido. Improvisos ( já que no Nô e Kabuki , os atores trabalham basicamente com “Katás”) e textos em outras línguas deixaram o ator um pouco perdido , mas aos poucos ele foi percebendo que o mais importante não era aprender o fazer teatral ocidental e sim acrescentar a ele os milenares ensinamentos da arte oriental.

A partir daí, Oida começou a transmitir aos atores ocidentais , técnicas teatrais do Kyogen , do Nô do Kabuki e princípios de honra e disciplina dos Samurais.

Yoshi contribuiu e contribui até hoje com sua forma pessoal e intransferível de atuar em peças como “A Tempestade” , “The man Who” ambas dirigidas por Brook e filmes como
“ The Pillow Book” dirigido por Peter Greenway e “Wasabi” dirigido por Luc Besson .

1 voto2 votos3 votos4 votos5 votos (16 votos, média: 4.88 de 5)
Loading ... Loading ...


« Publicações Anteriores Próximas Publicações »