GERAR HAMLET!
Publicado por Kátia Jórgensen
Começar um processo é dar início há gestação de um filho que não sabemos como nascerá. É fecundar. É transar com seu eu. É dar a luz aos poucos.
Quando li Hamlet pela primeira vez me assustei, não queria, não podia. Era como se esse texto não me pertencesse. Aos poucos fui me permitindo entrar nesse mundo de podridão, idéias, conspirações, mortes e traições.
Quando recebi o coveiro tive medo, achava que não conseguiria fazer uma perfeita interpretação levando para o palco um personagem mais velho, mais sisudo, maior que eu. Ele veio aos poucos, me penetrou. Está nascendo da minha angústia, do meu eu, do Rangel-comédia, Rangel-tragédia, do meu ator escondido. O Coveiro é meu anseio perante a vida, é a fome por viver, é a caminhada para morte, sorrindo.
Atuar é lutar com seu ego. É se ignorar em função de um ser ainda escondido. Se preparar para próxima frase, emoção,atitude, reação. Ser Samurai do palco. Ser invisível.
Tinha receio de fazer karatê. Tinha vergonha do meu desajeito. Tinha vergonha de mim. Aos poucos fui conhecendo meu corpo. Descobrindo até onde eu poderia chegar e o que fazer. O meu teatro hoje tem muito mais karatê do que eu esperava. A atitude é outra. A respiração é forte. A intenção e a sede de entrar em cena aumentou. Tenho necessidade de lutar, de agredir e defender. Ser melhor.
Aos poucos o Japão vem chegando.Junto com ele, vem sua cultura, suas cores, sua intensidade, seu jeito visceral de viver. Aos poucos vou me descobrindo, chorando, vou criando, me metamorfoseando em outro.
Todos querem ser Hamlet, eu só quero Coveiro. Só quero a essência que é invisível aos olhos. Minha busca é pela perfeição, mesmo que ela doa, mesmo que os outros não entendam, ainda assim serei minha perfeição. Serei meu ator.
“Emoções que brotam no fundo do peito”. Lágrimas que caem no papel. Cortinas que se fecham. Luzes na ribalta. E o meu ator desaparecendo. A partir de hoje serei o carregador das almas. Eu, morri.
“A Cia de Atores Invisíveis e o Living Theatre” ou simplesmente “Nós e Judith”
Publicado por Márcio Moreira
O que eu quero no teatro?Como o meu trabalho expressa isso? Essas eram as duas perguntas que Erwin Piscator fazia aos seus alunos e atores.Essas foram as perguntas que Judith Malina, a célebre fundadora do Living Theatre (que foi aluna dele), me fez.E foi exatamente aí que eu me dei conta da importância desse nosso encontro.Esse encontro foi irreversível.Ela plantou em nós sementes que certamente irão frutificar.
Esse encontro se deu através de um Workshop de direção teatral ministrado por ela no espaço Sesc Copacabana RJ. Mostramos uma cena do nosso próximo espetáculo “ou Hamuretsu”, ainda em processo . Através de sua vasta experiencia de mais de sessenta anos do Living ela nos mostrou a fundamental importância que o público tem e como nós artistas de teatro , podemos quebrar convenções e deixar os expectadores realmente livres para interagir com a nossa obra.
Existe um pensamento que eu sempre tive e que foi potencializado com essa experiência : quando criamos uma obra e apresentamos ao público , essa obra passa a pertencer ao observador também. O olhar do espectador o torna co-autor de nossa criação. Portanto , cabe à nós, praticarmos o desapego percebendo que a participação do público completa qualquer obra de arte.
Foi inspirador vê-la em ação. Ver a sua eterna paixão pelo teatro.Vibrante : oitenta e dois anos e em muitos momentos, uma menina.
A Cia de Atores Invisíveis se sente honrada por ter conhecido Malina e mais do que isso: ter recebido orientações e dicas dessa lenda viva.
Aprendemos muita coisa com ela ; Judith e seu jovem assistente Brad Burgess, tão apaixonado quanto ela pelo teatro. Judith Malina marcou a história do teatro , e agora a nossa história também.
Quanto às perguntas de Piscator , eu já tenho as respostas…
…e às estendo à vocês.
Primeiro Ponto – A descoberta do corpo do ator
Publicado por Kátia Jórgensen
Esse texto foi escrito pela atriz e preparadora corporal da Cia de Atores Invisíveis Renata Mafra
Para o ator é possível pesquisar o corpo do personagem sem que conheça seu próprio corpo? Acredito ser impossível! Tenho percebido que através das técnicas de conscientização corporal, posso realizar um trabalho mais concreto e perceptível. É, como se a partir desse entendimento do próprio corpo, ele – o ator - abrisse espaço para construir qualquer outro corpo com mais tranqüilidade e consistência. Seu corpo recém descoberto está pronto a ser “porto” para muitos outros corpos, linguagens, posturas e sensações. Quanto mais me conheço, mais posso conhecer tantos outros personagens e é por aí que pretendo pesquisar. Sendo assim quanto mais flexível, disponível, apto, mais será a percepção de onde iniciar a criação de um novo personagem, sempre com a consciência de peso, volume, deslocamento, respiração e energia vital.
APRENDENDO O CAMINHO
Publicado por Kátia Jórgensen
(Este texto foi publicado por Kátia Jórgensen e escrito por Renata Mafra,atriz e preparadora corporal da Cia de Atores Invisíveis)
“Não decorre passos, aprenda o caminho”.
Klauss Vianna
Um caminho tem muitas direções, escolher uma ou pelos menos não fechar as possibilidades de desviar-se para outras é um fator importante nessa trajetória. No momento, escolho a direção da flexibilidade e da percepção, de que muitos caminhos levam para um mesmo local, basta perceber.
Cada corpo é um corpo, cada ser é um ser e cada um encontra dentro de si uma forma de conhecer e descobrir esse corpo. A mim, cabe mostrar, quais instrumentos podemos utilizar para vislumbrar essas capacidades. Cada vez mais me afasto da perfeição e excelência, das formalidades e regras e cada vez mais me aproximo da expressão autêntica do movimento, da beleza e estética de cada indivíduo. Não existe um corpo padrão, existem infindáveis formas de expressar esse corpo, que é múltiplo, pois somos muitos.
Que eu possa ensinar e aprender. Que eu possa nessa busca do movimento e do corpo revelar que muito ainda tem a ser estudado, pesquisado e sentido.
Renata Mafra
Questão de escolha ou o teatro dos tipos e os tipos de teatro!
Publicado por Kátia Jórgensen
(ESTE TEXTO FOI PUBLICADO POR KÁTIA JÓRGENSEN E ESCRITO POR FERNANDO LOPES LIMA)
Um mergulho começa a ser projetado.
Já foram tantos…
A diferença é que este mergulho tem de ser profundo, afinal somos a Invisível Cia de atores ou Cia de atores Invisíveis? Neste segundo caso temos uma responsabilidade já no nome.
Nada pode ser pouco.
Neste momento de mergulho, a pessoalidade deve dar lugar a busca por técnicas bem definidas, talvez, mais tarde, possamos subverter regras tão determinadas/determinantes, porém, agora temos que abandonar o “EU” e se entregar ao nosso, ao “NÓS”…
Portanto sejamos sinceros com nós mesmos… A questão agora não é mais um “O Que?” e sim um “Como?”. Para responder a essa questão, devemos nos afastar da resposta.
No caminho da investigação, vamos procurar uma não resposta, pois a ciência é movida pela duvida.Outras questões surgirão e outras e mais algumas outras e depois desse tempo que não sabemos o espaço, aqueles que sobrevirem à missão serão “OUTROS”, pois, na transformação do mundo, tudo começa em nós. Não temos tempo para quem não é revolucionário! Você é capaz de morrer pelos seus ideais?
Não existe passado, nem futuro, só existe o agora! Hoje é tarde e amanha nem existe!
Fernando Lopes Lima
O Ator Santo e o Ator Invisível
Publicado por Márcio Moreira
A importância de Jerzy Grotowski para o entendimento da ética do ator é fundamental. Em sua construção sobre o conceito de um “Ator Santo” podemos perceber o quanto que, para ele, Grotowski, o ofício do ator pode ser levado a instâncias muito mais profundas. Sua percepção do teatro como muito mais do que uma manifestação artística fez com que as possibilidades de um teatro antropológico se desenvolvessem como nunca. O teatro do ponto de vista de um encontro entre pessoas, pode parecer em princípio simplificar a questão, porém se esse encontro é visto de forma exacerbadamente humana, podemos começar a entender o porque Grotowski nos últimos anos de sua vida dedicou-se a pesquisas que transcendiam ao teatro. O encontro entre os atores, entre os atores e o público, entre os homens, esse sutil, sempre definitivo encontro, passou a ser o cerne de sua rica pesquisa. Pra mim, a contribuição que esse mestre trouxe para a ética do ator, pra importância desse ofício, pra essa visão quase sacerdotal que devemos ter é a característica que mais me atinge. No trabalho que desenvolvo dentro da Cia de Atores Invisíveis esses conceitos Grotowskianos são imprescindíveis. O trabalho do ator deve ser o resultado do mais alto grau de entrega possível, da descoberta das verdades internas dos homens-atores,sem espaço para máscaras e convenções. Porém chegar nesse estágio não é algo simples e requer em primeiro lugar o trabalho estável com os mesmos atores por um longo período de tempo. Esse tempo duradouro é que possibilita que pouco a pouco através de nossa preparação e treinamento possamos quebrar as couraças que naturalmente acumulamos durante a vida. Esse nível de revelação é na maioria das vezes muito dolorido. Todas as vezes que nos vemos no espelho queremos via de regra ver uma bela imagem, porém certos ambientes bem iluminados fazem com que os espelhos revelem os detalhes de nossa imagem que não nos agradam. É ruim, desagradável, ver os detalhes imperfeitos de nossa face. Ter contato com nossas questões essenciais é um mergulho dentro do imenso mar de lama e nuvem, de dor e gozo, de pétala e espinho que inerentemente existe em nossa alma.
Assim como propunha Grotowski eu creio em um teatro atrelado a disciplina, a busca da maior sinceridade que esses homens-atores podem alcançar. Ser um ator invisível assim como ser um ator santo deve ser um ato de total entrega e amor. Não existe espaço para o burocrático, para o “não deu tempo”, para o “estive ocupado”. Essa é a exigência. Essa é a regra. Precisamos das regras. Até para que possamos subvertê-las quando necessário. Assim como diz Peter Brook: “Nunca acreditei em verdades únicas. Nem nas minhas, nem nas dos outros. Acredito que todas as escolas, todas as teorias podem ser úteis em algum lugar, num dado momento. Mas descobri que é impossível viver sem uma apaixonada e absoluta identificação com um ponto de vista. No entanto, à medida que o tempo passa, e nós mudamos, e o mundo se modifica, os alvos variam e o ponto de vista se desloca. Num retrospecto de muitos anos de ensaios publicados e idéias proferidas em vários lugares, em tantas ocasiões diferentes, uma coisa me impressiona por sua consistência. Para que um ponto de vista seja útil, temos que assumi-lo totalmente e defendê-lo até a morte. Mas, ao mesmo tempo, uma voz interior nos sussurra: Não o leve muito a sério. Mantenha-o firmemente, abandone-o sem constrangimento”. Então assim é Cia de Atores Invisíveis.
Eu quero acreditar
Publicado por Márcio Moreira
Um espaço é apenas um espaço. Pode ser utilizado pra ser qualquer coisa. Uma sala vazia pode ser utilizada como quisermos, até mesmo como uma sala vazia. O que importa é o valor que atribuímos a ela . Os templos religiosos são locais sagrados porque os fiéis acreditam que eles o são. O valor das coisas está na nossa crença . A utilização de determinado espaço está diretamente ligada ao valor que atribuímos à ele. Nossa casa, por exemplo, é sempre um lugar especial, onde colocamos nossas coisas, nossas energias , nossa vida. Nós escolhemos o destino dos espaços.
O fazer teatral está sempre atrelado a ocupação de um espaço . Esse espaço pode ser qualquer um : um elevador , o vagão de um trem, uma quadra, uma praça pública e até mesmo um teatro. A gama de possibilidades é incontável. Muitas pesquisas e experimentos já foram feitos à esse respeito. Diversos pensadores e encenadores já propuseram infinitas possibilidades de ocupação de espaços.
Pra nós, da Cia de Atores Invisíveis, os espaços que vamos utilizar ( seja lá pra ensaios ou apresentações) estão diretamente ligados ao valor que damos ao exercício do nosso ofício, portanto ,devem se tornar especiais. Um espaço vazio pode se tornar especial. Devemos escolhê-lo com cautela. Todos os detalhes dele, inclusive seu tamanho ,devem estar a serviço da prática. Esse espaço deve ser “preparado”. Antes de qualquer atividade (ensaios,
Mas assim como no caso dos templos religiosos , temos que querer acreditar. Nós ,da Cia de Atores Invisíveis, queremos acreditar.
ToBeAndNotTobe
Publicado por Kátia Jórgensen
Hoje sei que uma personagem não se cria, se vive.
Estou passando por uma experiência fantástica: viver uma personagem que jamais imaginei fazer e, ao mesmo tempo, secretamente sempre achei que podia fazê-la por algum motivo.
A busca pelo corpo e pela respiração dessa personagem me faz pensar que somos todos feitos de ar, num corpo cheio de espaços vazios, prontos para serem preenchidos com sons e imagens.
O ator invisível tem que ser vazio.
Tive que fazer uma cena para apresentar ao grupo.
Ensaiei e pela primeira vez não me cobrei, (claro que não muito rsrsr) mas deixei o ar fluir dentro de mim. Através de tantos jogos, exercícios corporais, improvisacionais, pesquisas de Kabuki e Noh, eu tive a sensação de que quando expirava, todos os ensinamentos nasciam de dentro da mim e saiam através da personagem - por isso é tão importante a pesquisa , a leitura. Elas nos preenchem de vida e de ações. Viver uma personagem depende do que você tem a oferecer a ela.
A pesquisa de energia invisível da Cia tem aparecido pra mim de uma forma reveladora. Quanto mais eu descubro o que tem no meu vazio mais eu posso preencher com a energia da personagem e assim eu passo para a etapa seguinte: manipular as duas energias.
Ainda nem cheguei perto…
O que eu quero é que apareça só a energia dela.
O resto é silêncio…
Oficina Teatro do Absurdo
Publicado por Kátia Jórgensen
ETLA - RUA CORRÊA DUTRA 99,SL 218, CATETE, ao lado do metrô
tel 22056371
OFICINA DE TEATRO COM OS INVISÍVEIS
Publicado por Kátia Jórgensen
Iniciaremos nova turma da oficina “O ator Neutro”
com o diretor da Cia de Atores Invisíves , Márcio Moreira.
Valor da oficina:
mensalidade 80,00
quintas de 19:40 às 21:40
Duração: 3 meses
Local: Fundição Progresso
Rua dos Arcos, 24, Lapa
www.fundicaoprogresso.com.br
Para concluir a oficina,
haverá uma pequena apresentação , na Fundição Progresso.
Somente 20 vagas!!!
ATENÇÃO:
Quem quiser fazer a pré-matrícula pela internet, para garantir sua vaga,
preencha este formulário e mande de volta para o e-mail atoresinvisiveis@gmail.com ,anexando o comprovante de pagamento no valor de 20 reais.
PODE SER DEPÓSITO BANCÁRIO OU TRANSFERÊNCIA ON LINE.
Dados bancários:
Banco:HSBC
conta:46558-35
agência :1018
cpf:07200362751
Márcio Gomes Moreira








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