Teatro de Arma Zen
Publicado por Márcio Moreira
Fomos assistir (duas vezes! Por enquanto…) ao espetáculo “Mãe coragem e seus filhos” de Bertold Brecht com a Armazém Cia de Teatro, em cartaz no CCBB , no Rio. E diante do que vimos, resolvemos publicar aqui no Luz & Sombra , uma resenha sobre o novo espetáculo de Paulo de Moraes.
Já de primeira, nos deparamos com uma detalhada pesquisa sobre a linguagem brechtiana. Desde a música de espera que quase soa como “música de consultório”, (imediatamente nos remetendo á idéia de que vamos assistir a uma peça de teatro que ainda não começou) até a interpretação dos atores.
A maquinaria á vista, a atriz, em cena, operando o refletor, os atores atrás da carroça se preparando para a próxima cena refletidos por um gigantesco espelho, nos revela uma crua realidade através da posição de espectadores e são também frutos do cuidado com a pesquisa sobre Brecht.
A luz de Maneco está, como deve ser, totalmente a serviço da concepção crua que desmistifica, que rompe com a catarse, enfim, desvenda poeticamente a arte do iluminador. O cenário de Paulo de Moraes e de Carla Berri além do fantástico espelho, também traz uma leitura genuína da carroça na qual Sra Fierling carrega seu filhos: uma enorme carcaça estilizada (mais um elemento do distanciamento) de um avião de guerra. O avião é o tempo todo deslocado pelo espaço cênico aos olhos do público, assim como todas as mudanças de cena sem o recurso do black-out - uma mostra clara do entrosamento luz-cenário-direção.
Todos os atores, como sempre, estão totalmente imbuídos do sentimento brechtiniano e “armazeniano”. Sempre com a mesma visceralidade e sensibilidade para nos emocionar com pequenos detalhes. Simone Mazzer está fantástica. Ela consegue em seu solo musical exprimir tudo o que deveria ser feito quando um ator canta em cena. A atriz apenas empresta a voz e deixa o resto por conta da personagem. Sérgio Medeiros consegue nos mostrar além de um personagem cômico, um cidadão da guerra. Com passagens excelentes, ele rouba a cena em vários momentos numa dobradinha maravilhosa com Louise Cardoso. Thales como o açougueiro, consegue evoluir de maneira sensível e mostrar as modificações que seu personagem sofre no decorrer da história. Com destaque para a brilhante atuação na canção emocionada que executa. Patrícia Selonk é mais uma vez um plus do espetáculo…Aos poucos ela vai cativando o espectador que, começa a se perceber refém de sua interpretação ímpar - sempre com ações físicas inesperadas e originais. A construção da personagem Katrin é impressionante. Louise Cardoso, como Sra Fierling, emociona em vários momentos e nos mostra uma generosidade tamanha na tentativa, bem sucedida, de acompanhar o ritmo tão peculiar da Armazém Cia de Teatro.
A direção magistral de Paulo de Moraes é a prova de que não existem limites para o seu trabalho de criação. Cuidadoso e inteligente, como sempre, Paulo confirma sinais visíveis de maturidade artística. Temos a oportunidade de assistir a uma direção que consegue dar a devida relevância a cada elemento cênico de maneira proporcional, nos dando a chance de apreciar um espetáculo, em sua totalidade.
“Mãe Coragem e seus filhos” é um espetáculo no qual vamos pra casa com um nó na garganta impedindo-nos de expressar o que sentimos pela gigantesca torrente de sentimentos em que nos sentimos mergulhados. É para ficar para sempre na memória…
(por Márcio Moreira e Kátia Jórgensen)
e para quem quiser … o site da Armazém Cia de Teatro é:
Resenha sobre “Expectantes”
Publicado por Márcio Moreira
Bom, com a finalização deste trabalho tão querido e especial , para nós , Invisíveis, decidimos publicar aqui esta interessante crítica feita por Ana Cecília do site Revista Virtual Partes.
Obrigada a todos os que nos ajudaram de alguma forma e que torceram por nós…
a expectativa continua …
CULTURA - TEATRO
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A vertigem das expectativas em competente peça de grupo carioca |
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Por Ana Cecilia |
| publicado em 25/10/2007 |
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Não é novidade que o teatro perdeu espaço e público após o surgimento da televisão e do cinema. Para competir com a comodidade dos novos meios de entretenimento e arte, é necessário que o teatro possa oferecer algo de que só ele disponha. E é em busca dessa constante reafirmação da linguagem teatral que alguns grupos pesquisam e se superam a cada trabalho. Em Expectantes, a Cia. de Atores Invisíveis apresenta um espetáculo sobre as expectativas humanas. O tratamento do tema, no entanto, foge do óbvio; o plano existencial não se encontra explícito – as ações se efetuam em um plano concreto. O que um palhaço, uma cigana, uma noiva, um evangélico, um travesti esperam? Para que esperam? Até quando esperam? De que maneira encaram essa espera? Depois, cabe a nós transformarmos esses símbolos e adentrarmos na atmosfera misteriosa que a proposta cênica abrange, como se nos perguntasse, também, o que nós esperamos. Com um cenário intimista e um humor tragicômico, inicia-se o jogo de sentimentos com a platéia. Um jogo tenso, que ao mesmo tempo estimula e inibe o espectador. Gargalhadas se confundem com momentos de profunda melancolia, irreverência e culpa. Somos transformados em cúmplices de personagens patéticos e perdidos e, num determinado momento, nos sentimos os próprios, sempre à espera da próxima cena, da próxima piada, do próximo conflito, a mercê de choques cômicos e dramáticos. Os personagens dividem o mesmo ambiente – um circo. A dinâmica da atuação provém dos ensinamentos de Yoshi Oida – um dos principais atores do diretor britânico Peter Brook. Baseia-se todo o processo de trabalho no livro O Ator Invisível. Para Oida, o público não deve jamais ver o ator e sim sua interpretação, e esta requer supremo e estudado controle, para que defina e exponha emoções em toda a sua profundidade. E, realmente, a integração do elenco, e a disciplina com que os atores trabalham suas sombras, sons, vozes, silêncios, ruídos e sentimentos os torna invisíveis. Invisíveis no sentido de que não vemos o ator ali. Vemos os personagens, nos envolvendo com sua presença. A discrição em cada mudança de cena, o cenário dinâmico e restrito ao necessário transformam tudo em essência. Tudo nos leva a uma reflexão, não apenas sobre o que esperamos, mas sobre o que escondemos sob nossas aparências, o que almejamos, nossas carências, o que cada ato revela, o que cada escuro condena, o que cada olhar vê, aprova, reprova. O que cada solidão, enfim, procura. O espetáculo não termina; cabe a nós a decisão de ir ou ficar aguardando, na expectativa de algo a mais, de um aplauso, de um aceno. Com um certo incômodo, nos percebemos em cena, mais expostos que os próprios personagens, e decidimos sair. Serviço: O espetáculo “Expectantes” está em cartaz até dia 07 de novembro, na Fundição Progresso. Sempre às quartas-feiras, às 20h30min. Contato do grupo: www.invisiveis.subtom.com.br. (Colaborou: Gustavo Dumas) |






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