Construindo um Ator para Construir um Personagem

Publicado por Kátia Jórgensen

Depois de termos tido contato com o livro “O ator Invisível” de Oida, começamos a tentar entender do que se tratava , afinal, ser um “ator invisível”. Nosso primeiro entendimento da expressão, hoje , podemos perceber o quanto foi rasa. Levamos em consideração somente as questões éticas e morais como: vaidade , orgulho , ego…

treinamento

Ser um ator invisível não significa se desprender somente da presunção, mas se agarrar com unhas e dentes à técnicas que nos libertem da famosa “emoção”, a que nós atores aprendemos a nos escravizar. Não existe decepção maior para o ator iniciante do que falar a ele: - “quem tem que se emocionar é o público, não o ator!” É muito difícil para o artista se desprender de certos tabus como “emoção”.

A sensibilidade para o artista é como a inteligência para o cientista, porém, o ator não pode somente contar com ela. O artista não é um extra-terrestre ou ser especial que tem o dom de controlar suas emoções a cada apresentação de um temporada. A emoção pode vir (e será muito bem vinda) e pode não vir! E é justamente neste dia que o ator precisa ter o instrumental correto para auxiliá-lo em cena.

Chorar por exemplo, é visto como uma das coisas mais difíceis para um ator. Porém , rir é tão difícil quanto chorar ou constatar , observar, contestar, seduzir e qualquer outra ação. Ou seja, tudo o que se faz é uma ação e ela precisa ser repetida a cada espetáculo. Uma cena de choro pode ser repetida a cada dia com a mesma intensidade desde que o ator descubra no corpo dele , o que o faz chegar a tal ponto. Se é contrair os músculos das mãos ou se é relaxando totalmente os músculos da face. Deve existir uma partitura física para cada ação. Por isso , o ator não pode se garantir apenas em “psicologismos” ou “subtextos”.

O subtexto pode nos levar ao exagero e aos truques que usamos quando sentimos que não estamos alcançando a “emoção” da personagem. Por exemplo: a personagem precisa, naquela cena, fazer com que o outro personagem não vá embora. Para isso , o ator precisa estudar como vai usar a ação “implorar”. Se ele ficar somente pensando”eu tenho que fazer essa pessoa ficar, ela não pode ir embora, eu a amo e etc…” provavelmente começarão a surgir muitas caretas e demonstrações de interpretação Esses recursos são muito arriscados, pois eles partem exclusivamente e somente do material humano que há em cada um. Cada dia é um dia diferente: hoje o ator pode conseguir atingir uma emoção X e chegar às lágrimas por estar passando por um momento difícil em sua vida particular. Mas e no dia seguinte quando este problema estiver resolvido? Ele terá que ter um problema a cada dia para se sair bem naquela cena?

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4 Respostas para “Construindo um Ator para Construir um Personagem”

  1. Graziela Golandin diz:

    Muito boas essas publicações, deu gostinho de quero mais. Escrevam mais, escrevam, escrevam… rsrsrsr

  2. Rodrigo Freitas diz:

    Ola eu tambem sou ator e acho que o que voce escreveu ai esta certicimo…meus parabens…

  3. Ju Guimarães diz:

    Poxaa!!!Muito, muito bom o texto!!!!
    Peço licença…p/publica-lo no blog da oficina teatral…da qual eu faço parte,mantendo…os créditos, claro!!!
    Um grande abraço e “merda” para todos nós.

  4. Jeane diz:

    ola sou atriz, e adorei a publicação. bjs a todos

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