ep.2 Arte e Comédia dell’Arte

Publicado por Bruno Accioly

Márcio Moreira e Kátia Jórgensen entrevistam Helton Tinoco - da Companhia de Teatro Zanni e Zeza, em um programa com a participação de Bruno Accioly e Nando Uchôa a respeito das vantagens e desvantagens, para o Ator, em participar de companhias de teatro; do panorama do teatro no Rio de Janeiro; a função do Ator; a natureza do Sucesso; passar-roupa; Comédia dell’Arte; diversidade; e um monte de outras coisas interessantes.

Episódio 2


(43min)

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Episódio 2

Trecho do Espetáculo “Expectantes”

Toda quarta-feira, às 20:30, até 19 de Dezembro na Fundição Progresso.

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O ator presente: Viver x Vivenciar

Publicado por Márcio Moreira

Muitos atores alimentam, por algum motivo, a idéia de que quando estão em cena o mundo pára. Tudo pode acontecer à sua volta e nada é visto nem ouvido. O ator entra num estado catártico no qual só as ações pré-estabelecidas no ensaio são executadas; não estou com isso defendendo uma prática de improvisações que subvertam o trabalho construído no processo criativo pelo ator e o diretor. É mais simples: o ator deve estar, de fato, presente em cena.

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Não observar que um objeto caiu, ou ignorar um estrondo durante um espetáculo faz com que a cena se torne inverossímil.

O que propomos na Cia de Atores Invisíveis durante nossos treinamentos improvisacionais, é que estejamos presentes, de fato. O ator vivo em cena é o personagem vivo em cena. Precisamos ver e ouvir de verdade e não fingir que vemos e ouvimos. Estar presente significa executar a ação de modo completo e verdadeiro. Se o personagem escuta o desabafo de outro, o ator deve escutar de verdade.

Tentar representar o “ouvir”, por exemplo, cria um teatro de inverossimilhanças. O trabalho deve ser construído a partir de nossos sentidos verdadeiros. O estado presente auxilia toda a técnica e todo o ensaio feito anteriormente. Obviamente tudo isso tem um limite. No caso de um personagem que se suicida, é claro que não faremos a ação propriamente dita de maneira verdadeira (se não, só a faríamos um vez). Algumas vezes o ator gasta muito tempo tentando representar e se detém muito pouco ao que está acontecendo de verdade. No caso da cena de suicídio, tudo que a envolve, até o ato ápice, pode ser feito de maneira presente. O que propomos em nosso treinamento é o pleno jogo com o outro e com o meio.

Viver um personagem não é o mesmo que vivenciá-lo. Viver pressupõe uma realidade que não existe no teatro. Viver, nós só podemos viver as nossas vidas, mas as vidas das personagens, nós temos que vivenciar. Ou seja, agir como se estivéssemos naquela situação, e contra agir como se vivêssemos aquele momento. A contra-ação é aquilo que a personagem faria e conseqüentemente você, como ator, (depois de muitos ensaios e de testar muitas ações físicas), vai fazer. Reação é aquilo que você faria se estivesse na situação da personagem, portanto nem sempre as nossas reações servem como contra-ações das personagens que estamos trabalhando. A vivência se baseia nisso: agirmos de tal forma natural que pareça sermos nós mesmos naquela situação. E isso inclui não só as ações como a forma de falar, andar e gesticular. Precisamos que essa personalidade reverbere em nosso corpo de forma verdadeira e de tal modo que o público acredite que existe alguém ali e que, esse alguém não é o ator que o está interpretando.

Acreditamos num teatro de vivência. Queremos interpretar e não representar.

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Construindo um Ator para Construir um Personagem

Publicado por Kátia Jórgensen

Depois de termos tido contato com o livro “O ator Invisível” de Oida, começamos a tentar entender do que se tratava , afinal, ser um “ator invisível”. Nosso primeiro entendimento da expressão, hoje , podemos perceber o quanto foi rasa. Levamos em consideração somente as questões éticas e morais como: vaidade , orgulho , ego…

treinamento

Ser um ator invisível não significa se desprender somente da presunção, mas se agarrar com unhas e dentes à técnicas que nos libertem da famosa “emoção”, a que nós atores aprendemos a nos escravizar. Não existe decepção maior para o ator iniciante do que falar a ele: - “quem tem que se emocionar é o público, não o ator!” É muito difícil para o artista se desprender de certos tabus como “emoção”.

A sensibilidade para o artista é como a inteligência para o cientista, porém, o ator não pode somente contar com ela. O artista não é um extra-terrestre ou ser especial que tem o dom de controlar suas emoções a cada apresentação de um temporada. A emoção pode vir (e será muito bem vinda) e pode não vir! E é justamente neste dia que o ator precisa ter o instrumental correto para auxiliá-lo em cena.

Chorar por exemplo, é visto como uma das coisas mais difíceis para um ator. Porém , rir é tão difícil quanto chorar ou constatar , observar, contestar, seduzir e qualquer outra ação. Ou seja, tudo o que se faz é uma ação e ela precisa ser repetida a cada espetáculo. Uma cena de choro pode ser repetida a cada dia com a mesma intensidade desde que o ator descubra no corpo dele , o que o faz chegar a tal ponto. Se é contrair os músculos das mãos ou se é relaxando totalmente os músculos da face. Deve existir uma partitura física para cada ação. Por isso , o ator não pode se garantir apenas em “psicologismos” ou “subtextos”.

O subtexto pode nos levar ao exagero e aos truques que usamos quando sentimos que não estamos alcançando a “emoção” da personagem. Por exemplo: a personagem precisa, naquela cena, fazer com que o outro personagem não vá embora. Para isso , o ator precisa estudar como vai usar a ação “implorar”. Se ele ficar somente pensando”eu tenho que fazer essa pessoa ficar, ela não pode ir embora, eu a amo e etc…” provavelmente começarão a surgir muitas caretas e demonstrações de interpretação Esses recursos são muito arriscados, pois eles partem exclusivamente e somente do material humano que há em cada um. Cada dia é um dia diferente: hoje o ator pode conseguir atingir uma emoção X e chegar às lágrimas por estar passando por um momento difícil em sua vida particular. Mas e no dia seguinte quando este problema estiver resolvido? Ele terá que ter um problema a cada dia para se sair bem naquela cena?

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ep.1 O Teatro do Invisível

Publicado por Bruno Accioly

Márcio Moreira e Kátia Jorgensen, os fundadores da Cia de Atores Invisíveis batem um papo sobre teatro com Bruno Accioly, a respeito de Yoshi Oida, atores invisíveis, Peter Brook, Teatro Neutro, Método e tudo mais que orbita o mundo do Teatro.

Episódio 1


(43min)

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Episódio 1

Vídeo do Espetáculo “Expectantes”

Toda quarta-feira, às 20:30, até 19 de Dezembro na Fundição Progresso.

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