Estréia do novo espetáculo da Cia de Atores Invisíveis :”ou Hamuretsu”
Publicado por Kátia Jórgensen
A escolha.
Esse foi o ponto de partida de “ou Hamuretsu”.
As escolhas que fazemos determinam o que somos.
Temos esse poder nas mãos.
Somos os únicos responsáveis por nossa própria história.
Escolha, Meta-Teatro, Hamlet, Kabuki, Nô, Kiôgen, Bunraku, Filosofia, Fé…nossas escolhas.
A construção de “ou Hamuretsu” foi, sem dúvida, o maior desafio até aqui.
Pesquisa, estudo,treinamento…por escolha.
À todos os companheiros, dentro e fora da cena : obrigado.
Mais do que obrigado ao nosso mestre Yoshi Oida que, por escolha, se envolveu e se preocupou com a sua participação no projeto. Provou que só se pode ser tão especial assim, se continuarmos sendo capazes de olhar para o outro com respeito.
Obrigado a Kátia meu amor , minha escolha.
E ao público, dedico as sábias palavras de Zeami : “Yuu aku shudo fu ken” que significam : “ Divirta-se livremente ,estude o caminho e assim, verá o vento”.
“Márcio Moreira”
estréia
25 de Julho
Fundição Progresso, Teatro armazém
Rua dos Arcos,24,Lapa RJ
Sábados e Domingos às 18:30
R$ 20,00 ou R$ 40,00( a escolha é sua)
Yoshi Oida participa de novo espetáculo da Cia de Atores Invisíveis.
Publicado por Márcio Moreira
Quando pensei em convidar Yoshi Oida para fazer uma participação(em vídeo) no nosso próximo espetáculo “Ou Hamuretsu”,confesso que já esperava um sonoro não . E isso não é por falta de auto estima da minha parte , mas por compreender que trata-se de um artista que orbita em uma outra esfera, superior. E isso implica em uma agenda lotada, vários compromissos pelo mundo, e provavelmente um cachê que eu não poderia pagar, principalmente pelo fato de não termos nenhum patrocínio.
Desde os primeiros contatos com ele , por carta, passando por e-mails até um telefonema, Oida sempre foi muito gentil e atencioso e isso só aumentava as minhas esperanças em conseguir a cena feita por ele. Quando fizemos a proposta , ele nos agraciou , felizmente , com um sim. Agora que estamos prestes a estrear ( em julho) isso não poderia ser incentivo maior.
Com todas as dificuldades que passamos para montar esse espetáculo (só nós sabemos quantas) , esse foi nosso maior prêmio. Por toda a admiração e respeito que tenho por ele, posso dizer que ganhei o maior dos patrocínios. Tê-lo como parte integrante de nosso espestáculo é mais que alegria e realização, é quase sonho.
Acredito no poder mental de nossas escolhas. Quando queremos algo, mobilizamos energia do universo inteiro pra que esse algo aconteça. Pode parecer clichê , mas penso que tudo o que nós sonhamos , se continuarmos sempre em frente , é apenas uma questão de tempo para conseguirmos. Aí é que está o perigo. Talvez esse poder seja fatal.
“Só encontrará a sua vida, aquele que a perdeu”
OS TRUQUES DO ATOR
Publicado por Kátia Jórgensen
Muitos atores se matam em busca de técnicas e artifícios para executar uma boa interpretação. Podemos cair facilmente em armadilhas e clichês como : demosntração,canastrice,caricatura,estereótipo , ou seja , “muletas” (como alguns diretores e atores preferem chamar ) ou “truques” ( como aprendi com a minha amada mestra Suzana Saldanha). Esses truques só empobrecem e limitam a interpretação. Os truques de um ator só servem para enganar a platéia. Nada está acontecendo em cena , é tudo invenção. É tão comum vermos interpretaçãoes baseadas em caretas exageradas e expressões prontas! Estou triste : franzo a testa;estou feliz : sorrio; estou preocupada: viro os olhos de um lado para o outro freneticamente. Por favor , somos mais que isso! Quase sempre quando estou triste :sorrio ; quando estou feliz : arrumo motivo pra me preocupar e se estou preocupada : fico muda e parada. Mas essa sou eu. Você , provavelmente tem outras reações , e é isso que torna a arte do ator única, porque somos únicos.
Para ser ator,devemos antes de mais nada, sermos nós mesmos? Mas isso não seria exatamente o contrário de ser um ator invisível? Sim e não.A arte do ator é a arte do paradoxo. Para sermos outro, temos que ser cada vez mais nós mesmos. Isso quer dizer: zerar tudo e saber o que devemos ativar em nós, para nos livrarmos de nossos vícios e truques. Esse é o verdadeiro truque do desaparecimento. Esse é o truque que interessa à nós atores.
Só precisamos dessa mágica. Mas não tem feitiço nenhum ao mesmo tempo. Tem a gente , ali , no palco , o tempo todo , mas a platéia não vê.
Isso é não é mágica,é mágico.
A NOIVA?
Publicado por Kátia Jórgensen
tenho pensado muito sobre resultados… a vaidade me leva a isso. ao mesmo tempo tenho tentado somente trabalhar, dar o melhor de mim… a vaidade tem me levado a isso.
ninguém escapa dela : a vaidade.
e devemos escapar? O tempo vai me dizer.
Estou prestes a estrear “ou Hamuretsu” ( “prestes”, diga-se de passagem, daqui à 5 meses! Mas isso pra quem já está há um ano em processo é “prestes” mesmo!rsrrs)
tem dias que fico apavorada : “é o momento mais importante da minha carreira! Eu faço 30 anos esse ano e completo 20 anos de estrada com 32 anos!” números. números sempre me intimidaram, desde a escola nas provas de matemática.
hoje , por exemplo, estou em paz: “kátia , faça simplesmente o melhor de você e contente-se com isso desde que você saiba que foi no seu limite.
mas eu sempre vou achar que podia mais. sempre.eu me conheço.
às vezes queria ser obsessiva, ler mais, estudar mais, treinar mais.
esse resultado dependerá da minha calma e não do meu desespero:
é isso que eu quero alcançar.
fiquei sabendo que Daniel Day Lewis , quando estreou Hamlet, só fez o primeiro dia de apresentação. ele declarou que não queria nunca mais chegar “naquele lugar” , passar por aquela experiência violenta e sofrida que é viver o príncipe da dinamarca.
eu jamais me privaria de passar por essa violação de alma. quando termino o solilóquio no ensaio do meu espetáculo, tenho vontade de chorar.
depois.
eu.
sempre acho que vou desabar. não sei porque.
mas é assim que eu tenho prazer.
acho que tenho vontade de chorar porque acabou. porque sei que jamais (eu) passaria por tal experiência na vida. porque percebo o quanto estou viva em cena e o quanto não tenho alma quando sou eu mesma.
eu sempre declarei que o lugar onde me sinto mais bonita é no palco. mesmo sendo um monstrengo horroroso ( aliás acho que quanto mais horrível , mais bonita me sinto!).vai entender…
…eu queria escrever sobre resultados . não sei se consegui.
mas esse foi o resultado.
Publicado por Kátia Jórgensen
“INTRODUÇÃO AO TEATRO”
Oficina direcionada a atores que não possuem experiência e querem conhecer um pouco mais sobre a arte de interpretar. As aulas compostas de exercícios de improvisação , construção de personagem, projeção vocal, desinibição em cena, jogos teatrais e expressão corporal.
INTRODUÇÃO AO TEATRO
DURAÇÃO : TRÊS MESES
VALOR: 80 REAIS MENSAIS
LOCAL: FUNDIÇÃO PROGRESSO , RUA DOS ARCOS, 24 , LAPA , ESPAÇO 9.
HORÁRIO: QUINTAS DE 19:00 ÀS 21:00
MAIS INFORMAÇÕES
www.ciadeatoresinvisiveis.com.br
tels
93203862/ 91133112
Emoção x Técnica
Publicado por Kátia Jórgensen
Porque eu nego a emoção? A emoção me amedronta de tal modo que ultimamente tenho esquecido a importância dela no teatro. Eu sempre digo que quando estou chorando em cena, por dentro, estou rindo de alegria… Rindo porque é esse o maior momento de diversão pra mim. Não é nas brincadeiras com os atores e nem na social depois do ensaio. É no momento da descoberta na criação artística. Esse momento é mágico. Me faz até chegar ao absurdo de quando estou em cartaz, sentir saudades da época de ensaios e processo criativo. Não sei se devo chamar de absurdo, mas chamei e pronto. Decidi não apagar nada que escrevo a partir de agora e se me arrepender , eu escrevo que me arrependi, como estou escrevendo agora! Não vou negar mais nada. Essa é a minha escolha. Persegui por anos depurar as técnicas que aprendi e criei pra mim mesma. Mas agora quero esquecê-las. Não sou mais eu e sou muito eu mesma.Se chorar com facilidade: então é isso. Choro mesmo. E não vou perseguir o contrário disso só pra me provar que eu posso mais. Estou usando as técnicas que aprendi pra apagar quem eu sou? O que eu sou é tudo o que posso oferecer aos meus personagens. Não vou mais me esquecer quem eu sou, pois minha personagem precisa de mim .Vou esquecer quem eu quero ser , pois a técnica é muito minha amiga e me relembra a cada ensaio que eu estou aqui.
Acabei…
… e quase não me arrependi de nada que escrevi!
Se vocês não acharem coerente estão com toda a razão.
Não devia ter escrito isto!
E nem isto…
O resto é falação.
… E chegou o dia de saber qual seria a minha personagem.
Publicado por Kátia Jórgensen
Este texto foi escrito pela atriz Paula Larica da Cia de Atores Invisíveis
e publicado por Kátia Jórgensen
P…q….p….!!! Laertes? Homem? Macho? Macho e ainda por cima meio japa…
E o que fazer com meus 8 anos de ballet que me deram uma postura de quem parece estar sempre pronto para descer num plié? E minhas mãos que, sabe-se lá porque, cismaram com movimentos inspirados em aulas, por mim nunca feitas, de socila? Sem contar, o rostinho de mocinha, delicadinha, branquinha, xililiquinha, pitituquinha, bem nhé nhé nhé, mesmo……aaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!!!!
Crise. Pensar em uma solução. Mas eu não podia – e ainda não posso – racionalizar as coisas.
Isso porque, bem no início do processo, o diretor da Cia., Márcio Moreira, entregou diferentes livros a cada um de seus atores, pedindo-nos que lêssemos com cuidado aquele ou aqueles que nos havia sido indicado.
Eu recebi um só: “Arte Cavalheiresca Do Arqueiro Zen”, de Eugen Herrigel. E me lembro do Márcio dizendo que logo eu descobriria o que aquele livro tinha para me mostrar.
Tiro certeiro! Um livro de apenas 96 páginas, mas que foram suficientes para arrasar comigo. Indo direto ao ponto, eu descobri que eu “enganava meu mestre”, e entenda-se “meu mestre” como todos os seres do planeta, inclusive eu mesma. “Enganava” justamente porque racionalizava tudo. O raciocínio calculista e desenfreado tolhe, machuca o natural, impede o verdadeiro. “Sê fiel a ti mesmo e jamais serás falso a ninguém”… Foi um baque, mas muito importante para minha vida e para a vida de meus futuros personagens.
Mas, então, sem poder racionalizar, o que eu poderia fazer para buscar meu personagem tão distante da Paula atriz? Treinar. Treinar e deixar fluir. Mas não fluía…
Treinamentos e mais treinamentos e nada saía de mim. Silêncio que agoniava, silêncio que angustiava, silêncio que deprimia.
Até que surgiu Laura em minha vida. Laura é a minha outra personagem que, na trama, faz o personagem Laertes. Agora, sim. Pausa para respirar, sou mulher de novo.
Ledo engano! O problema que era meu passou a ser de Laura, ou seja, continuou meu mesmo! E enquanto todos construíam coisas interessantíssimas, eu permanecia muda e apática, numa luta interna e constante: “você não pode racionalizar”, “você não pode racionalizar”, “VO-CÊ NÃÃÃO PO-DE RA-CI-O-NA-LI-ZAAAAAAAAR”. Mas assim já não estaria eu racionalizando? Que tormento!!!! Razão, ilusão, vida, arte, mulher, homem, homem, mulher, “demônio feminino que atormenta em som de fúria de tormenta”.
Silêncio, silêncio, silêncio e mais silêncio, não só o resto, mas tudo era silêncio.
E aí, não sei se por pena ou somente para puxar assunto, os outros personagens cismaram de elogiar Laura pelas suas feições delicadas de mulherzinha: “Você é tão bonita”, pra cá, “Você é tão bonita”, pra lá.
“Não sou bonita, porra. Tomar no olho do seu cu, filha da puta!”.
A Laura não podia ser bonita. Certamente isso a distanciaria do homem Laertes que ela tinha de ser. Laertes ou até mesmo o próprio Hamlet, por que não? Por que a Laura não poderia ser Hamlet? E por que Hamlet não pode ser bonita? Hamlet é bonita. É? Seria isso também uma questão de escolha? De quem?
A conclusão que eu chego, pelo menos por ora, é que com esse tipo de processo nunca se sabe até onde os personagens podem ir. Laura e Laertes, por exemplo, continuam caminhando, racionalmente, ou não. Mas uma coisa é certa – e também é conhecimento fruto deste processo – nossos personagens estão mais perto da gente do que possamos imaginar.
Paula Larica
De volta aos trilhos na Estação Armazém.
Publicado por Kátia Jórgensen
Resenha Escrita por Márcio Moreira e Kátia Jórgensen
A Armazém Cia de Teatro estreou na última quinta feira, dia 27 de Novembro, na Fundição Progresso, o mais recente espetáculo do grupo: “Inveja dos Anjos”. Fomos assistir e resolvemos publicar aqui nossas impressões sobre o espetáculo pelo olhar de dois artistas.
Depois de trabalharem com textos de outros autores, a Cia retorna à cena com um texto próprio.
A dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes vem para consolidar a linguagem poética e visceral do grupo. Numa época em que, cada vez menos, temos a oportunidade de conhecer novos textos, a Cia nos brinda com uma legítima obra de arte dramatúrgica.
O trabalho dos atores mais uma vez é fruto do processo da pesquisa de Companhia.A dramaturgia acomoda personagens muito carismáticos e por isso, os atores não usam interpretações vazias - é nítida a solidez de cada personagem. Somente um trabalho em longo prazo , como é o caso do grupo, pode resultar na profundidade de tais construções. Marcelo Guerra dá vida, com sutil ironia, a um carteiro sem estereotipo. Simone Vianna, como Branca, nos traz um belíssimo e poético trabalho de construção corporal, sempre com a sutileza que lhe é peculiar. Ricardo Martins interpreta um Eleazar muito humano nos deixando a sensação de que poderíamos cruzar com ele na próxima estação. Verônica Rocha, muito bem escalada para o papel, desempenha com êxito e confirma seu mérito dentro do grupo mostrando todo o potencial de uma jovem e promissora atriz. Tales Coutinho nos oferece um trabalho consistente e com muita força cênica. A presença do mágico ator como Rocco é marcante e um dos pontos altos do espetáculo: é vibrante ver a sua interpretação na cena da descida dos trilhos. Simone Mazzer parece se encaixar com perfeição a persona de Luíza. Com delicadeza e ao mesmo tempo muita energia, a atriz nos proporciona momentos de beleza e emoção.Patrícia Selonk confirma sua maturidade cênica numa construção muito segura de sua Cecília e nos leva a esquecer que estamos num teatro , tamanha simplicidade na interpretação. A atriz, brilhante, prova que o menos é muito mais.
A Iluminação de Maneco é lindíssima, muito criativa e como sempre, super a serviço da concepção. Os figurinos de Rita Murtinho estão em sinergia com a construção das personagens e em sintonia perfeita com as cores do espetáculo, fazendo surgir uma unidade visual.A Trilha sonora de Ricco Viana, com a escolha de canções como Creep de Radiohead, confirma a estética “Rock n’roll-contemporânea” resultando na energia pulsante, já conhecida do grupo.
A cenografia de Carla Berri e Paulo de Moraes é muito impactante e nos surpreende com a qualidade do aproveitamento espacial. Somente um olhar tão bem apurado poderia perceber que a arquitetura do espaço é a própria Estação de Trem. São muito bem aproveitados o pé direito, as vigas e o corte longitudinal com um imenso trilho de trem explorado por vários elementos cênicos do espetáculo (Corpo, luz, direção e etc).
Numa junção harmônica de todos esses elementos, Paulo de Moraes, nos presenteia com o retorno à essência da Armazém Cia de Teatro. O diretor dá continuidade a sua pesquisa de investigação do espaço, levada às últimas conseqüências e desafiando a lei da gravidade.O espectador é transportado para dentro do universo de uma menina como num conto de fadas contado por ela. Embarcamos na ilusão desse trem conduzido por Paulo e assim, como os personagens, nos sentimos realmente passageiros a espera do próximo trem numa estação chamada “Armazém”.
Serviço:
Fundição Progresso- Espaço Armazém-Rua dos Arcos,24,Lapa (2210-21-90)Cap:126 pessoas.
Quinta à domingo às 20 hs.
Até 21 de Dezembro.
GERAR HAMLET!
Publicado por Kátia Jórgensen
Começar um processo é dar início há gestação de um filho que não sabemos como nascerá. É fecundar. É transar com seu eu. É dar a luz aos poucos.
Quando li Hamlet pela primeira vez me assustei, não queria, não podia. Era como se esse texto não me pertencesse. Aos poucos fui me permitindo entrar nesse mundo de podridão, idéias, conspirações, mortes e traições.
Quando recebi o coveiro tive medo, achava que não conseguiria fazer uma perfeita interpretação levando para o palco um personagem mais velho, mais sisudo, maior que eu. Ele veio aos poucos, me penetrou. Está nascendo da minha angústia, do meu eu, do Rangel-comédia, Rangel-tragédia, do meu ator escondido. O Coveiro é meu anseio perante a vida, é a fome por viver, é a caminhada para morte, sorrindo.
Atuar é lutar com seu ego. É se ignorar em função de um ser ainda escondido. Se preparar para próxima frase, emoção,atitude, reação. Ser Samurai do palco. Ser invisível.
Tinha receio de fazer karatê. Tinha vergonha do meu desajeito. Tinha vergonha de mim. Aos poucos fui conhecendo meu corpo. Descobrindo até onde eu poderia chegar e o que fazer. O meu teatro hoje tem muito mais karatê do que eu esperava. A atitude é outra. A respiração é forte. A intenção e a sede de entrar em cena aumentou. Tenho necessidade de lutar, de agredir e defender. Ser melhor.
Aos poucos o Japão vem chegando.Junto com ele, vem sua cultura, suas cores, sua intensidade, seu jeito visceral de viver. Aos poucos vou me descobrindo, chorando, vou criando, me metamorfoseando em outro.
Todos querem ser Hamlet, eu só quero Coveiro. Só quero a essência que é invisível aos olhos. Minha busca é pela perfeição, mesmo que ela doa, mesmo que os outros não entendam, ainda assim serei minha perfeição. Serei meu ator.
“Emoções que brotam no fundo do peito”. Lágrimas que caem no papel. Cortinas que se fecham. Luzes na ribalta. E o meu ator desaparecendo. A partir de hoje serei o carregador das almas. Eu, morri.
“A Cia de Atores Invisíveis e o Living Theatre” ou simplesmente “Nós e Judith”
Publicado por Márcio Moreira
O que eu quero no teatro?Como o meu trabalho expressa isso? Essas eram as duas perguntas que Erwin Piscator fazia aos seus alunos e atores.Essas foram as perguntas que Judith Malina, a célebre fundadora do Living Theatre (que foi aluna dele), me fez.E foi exatamente aí que eu me dei conta da importância desse nosso encontro.Esse encontro foi irreversível.Ela plantou em nós sementes que certamente irão frutificar.
Esse encontro se deu através de um Workshop de direção teatral ministrado por ela no espaço Sesc Copacabana RJ. Mostramos uma cena do nosso próximo espetáculo “ou Hamuretsu”, ainda em processo . Através de sua vasta experiencia de mais de sessenta anos do Living ela nos mostrou a fundamental importância que o público tem e como nós artistas de teatro , podemos quebrar convenções e deixar os expectadores realmente livres para interagir com a nossa obra.
Existe um pensamento que eu sempre tive e que foi potencializado com essa experiência : quando criamos uma obra e apresentamos ao público , essa obra passa a pertencer ao observador também. O olhar do espectador o torna co-autor de nossa criação. Portanto , cabe à nós, praticarmos o desapego percebendo que a participação do público completa qualquer obra de arte.
Foi inspirador vê-la em ação. Ver a sua eterna paixão pelo teatro.Vibrante : oitenta e dois anos e em muitos momentos, uma menina.
A Cia de Atores Invisíveis se sente honrada por ter conhecido Malina e mais do que isso: ter recebido orientações e dicas dessa lenda viva.
Aprendemos muita coisa com ela ; Judith e seu jovem assistente Brad Burgess, tão apaixonado quanto ela pelo teatro. Judith Malina marcou a história do teatro , e agora a nossa história também.
Quanto às perguntas de Piscator , eu já tenho as respostas…
…e às estendo à vocês.






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